domingo, 31 de outubro de 2010


" -Eu te amo assim ó:
(E fez gesto de 3 com os dedos)
...Era o maior número que sabia fazer.
Era o infinito pra ele."

sábado, 30 de outubro de 2010

Meu silêncio é o grito mais alto que alguém já deu.

Tati Bernardi.


Nunca consigo começar um texto com a mesma facilidade que o termino.
Esse em especial me fez pensar muito, e achei uma boa maneira de iniciar dizendo como foi difícil fazer isso. Provavelmente porque isto é um conjunto de palavras que venho acumulando em mim nos últimos tempos. Palavras que pedem para explodirem, e explosões não são previsíveis.
As minhas ao menos não.
Usarei de fato a metalinguagem para dizer algo que já esta dito dentro de mim, embora ande me ignorando, calada.
Nunca me viram calada, alias, acho engraçado o modo como dizem que nunca me calo. E tem razão. Por hora, o silencio de que falo é interno, ando calada comigo mesma, quase não me ouço. Não me questiono, não indago. Eu mal penso. Porque pensar traz duvidas, e estas trazem perguntas, e ando calada.
Toda pergunta precisa de respostas, mas respostas não acompanham silêncios.
Sinto necessecidade desde já de um um final, o que me torna tola. Acontece que não sei como terminará, assim como desconheço essa vontade de esboçar logo um fim. Desconheço por não me pertencer, por fazer parte do inotavel dentro de mim.
Desculpe me pela minha ignorância sobre gritos abafados pelo meu peito, mas inevitavelmente são eles que me fazem escrever tais palavras soltas, para que meu vocabulário vago se gaste e dessa forma faça com que eu esvazie essa multidão insana que tenta fugir de mim.
Não creio que faça algum sentido o que escrevi, nem sou tomada pela vontade alguma de entender. Trago comigo essa duvida, para que possa impulsionar outras no meu ser. Eu disse que desconhecia o fim, e digo agora que este não existe.
As coisas na vida são ciclos, elas não morrem verdadeiramente, não enquanto algo que estiver vivo lembrar-se delas.
Posso até ouvir meu silencio, nesse momento.

Carolina Assis


"E a menina, enfim, chegou à uma conclusão:
- Falta alguma coisa. Alguma coisa que ainda falta descobrir.
Em todo coração há abismos preenchidos por ventos gelados,
há cavernas escuras e cheias de morcegos.
Mas em todo coração há luz.
Basta saber qual é a lâmpada correta a acender."

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

E tem sido você, e vai continuar sendo você.

Você é tão errado e cheio de estragos. E me peguei olhando pra tudo isso e amando tanto, tanto, tanto. Como se nada mais no mundo fosse tão bonito ou correto ou mesmo perfeito porque perfeito é o que não tem mesmo cabimento. O resto nem existe porque vemos ou explicamos (...)
Tati Bernardi




Cheguei a achar ridículo o modo como meu peito parecia despertar com o som do seu pensamento. Sim, pensamento.E já fazia tanto tempo... Meu músculo cardíaco ainda aumenta o trabalho por uma leve lembrança, por um plano bobo, que seja. Repito: Já faz tanto tempo. Parte de mim admitia que isso nunca passaria, enquanto eu sentia essa mesma parte implorando para que eu continue a me permitir. Permitir... Sorri ao pensar nisso, pude ver o quanto era real minha decisão de me deixar dominar todos os minutos esse amor aquela pessoa desprezível. Sorri novamente. Sempre o chamei assim, lembrei me da primeira vez, ele ouviu, sorriu e segurou minhas mãos, pude sentir minhas entranhas serem esmagados por aquele pequeno e macio toque, pude jurar que ele era capaz de ouvir o meu tambor peitoral que parecia a qualquer momento sair pela minha boca. Boca esta que permaneceu calada, sem moral alguma para dizer algo, não sabendo o que se passava dentro do corpo que a tinha. Enjoo não era a palavra certa, e te juro,não costumava comer borboletas. Borboletinhas ingênuas e benquistas que tinha a impressão que ficariam ali pela eternidade. Aquele carnaval interno era tão rotineiro, quase poderia me acostumar. Qualquer coisa em fazia vibrar, sem ao menos possuir motivos descentes. Provavelmente nunca os terei, nunca fui atrás deles, no entanto. Sua existência sempre me bastou, ainda basta. Posso sentir esse amor fluindo todas as vezes que pronuncio seu nome, mesmo irritada, porque me lembro da maneira doce como você pronuncia o meu. Mesmo irritado. Seu sorriso combinava com as minhas bochechas vermelhas, assim como minha cintura combinava com suas mãos. Era a coisa mais estranha do mundo, e eu amava isso.

Carolina Assis

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Deus é alegria. Uma criança é alegria...

...Deus e uma criança têm isso em comum:
ambos sabem que o universo é uma caixa de brinquedos.
(Rubem Alves)


Nunca gostei de crianças, mas sempre me considerei uma.
Até certa idade, eu de fato era, mas pode-se dizer que há alguns anos estou um pouco acima dessa fase. Um pouco.
Embora, a criança de que falo, é a minha interna. É a garotinha que nunca cresce dentro de mim, que me faz rir de bobagens, e correr atrás de borboletas. Porque eu corro atrás de borboletas, e tenho um imenso orgulho disso. Não importa o lugar, quem esta perto, quem não esta, essa atitude me domina. Nunca parei ao certo para pensar o motivo que me levava a isso, talvez nem haja um motivo concreto. Talvez haja mas não me interesse saber. Apenas sei que é ela quem me faz tomar essa atitude, e que sempre a terei aqui dentro.

Carolina Assis

A vida é uma aventura aberta, exposta. Não protejam as crianças. Fortifiquem-nas interiormente para que brinquem bem com qualquer espécie de brinquedo.
Emmanuel Mounier




Feliz dia das crianças pra todos que possuem mais horizontes que paredes.
Para quem tem sempre os olhos molhados de esperança e fé na vida.
E uma cartola cheia de sonhos e a alma pintada de arco-irís!

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Amor Calado

Era um amor sem explicação. Um amor nascido não sabe de onde e alimentado não sei de quê. Era um amor de conversação, o meu. Extrafraternal. Extraterreno. Extra tudo. Muitos o definiram como erro grave, fatal até. Eu me orgulhava dele, mesmo que nunca o tivesse admitido. Não precisava. Minhas atitudes falavam mais que as pobres palavras com que eu tentava descrevê-lo. Eu o encontrei por acaso. Não sei definir ou entendê-lo. Só sei que o amava. Creio que nunca deixei de amá-lo. Não por medo de ficar vazia e só. É sem ele que eu não posso ficar.
[Liá Araujo]

Percebi que aquele era um amor diferente de todos desde a primeira vez que deparei-me com eles. É amizade, cumplicidade, as vezes ódio, muitas vezes raiva, mas de um lado ou de outro é sempre amor. Eles nunca vêem isso, talvez nunca cheguem a ver. Para ser sincero, admiro-os, pela força de conseguir unir todas essas coisas em um companheirismo que melhores amigas de escolas não teriam. Se vêem quase todos os dias, os sorrisos irradiam quando se encontram, é tão espontâneo, que só depois de notarem que sorriem um para o outro só pelos simples fatos de estarem juntos, fecham a cara e começam a se enfrentar. Os confrontos diários não são espontâneos, mais forçados. Percebi também que as vezes ficavam cansados um do outro. Gostam demais de tudo, e deles mesmo, muitas vezes precisam de tempo. Se afastam com pretesto de brigas, uma discussão mais acirrada ali, outra grosseria aqui, e surgia um afastamento de dois longos dias sem se falarem. É o máximo. Viviam separados, mas na essência sempre juntos. Passam por coisas, pequenas, e as vezes inúteis, mas guardam dentro de si, para quando chegasse o momento da reconciliação, poderem dividir um com o outro. Dois dias, e pronto, estão preparados para retomar aquela aliança que o destino uniu. Nunca acreditei em destino, mas eles continuam juntos, mesmo fazendo de tudo para se separarem. Se isso não é destino o que mais pode ser? É fantástico o tamanho entendimento que tem sobre cada um. A preocupação por traz daquelas palavras duras, a ternura que tentam esconder, mas que é vista nos olhares dos dois. Sempre achei que eles conversam mais com olhares, por isso nunca soube de ninguém que conseguiu entende-los. Reparei também que fecham os olhos quando se abraçam ou se tocam, e isso quer dizer alguma coisa, acredito. Tenho a humilde teoria também, de que eles sabem de toda essa mágica, que se esconde por trás daqueles encontros furtivos e daquelas risadas esnobes. Acho que continuarei observa-los, porque gosto de vê-los se descobrirem todos os dias. E se olharem... Porque olhando um ao outro não era preciso traduzir mais nada do que sentiam. Mais nada...

Carolina Assis

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Conseqüências docinhas... Ou não.

Porque inconseqüências são assim: Reduzem-nos. Destrói-nos. (...) Eles dizem que nos trazem aprendizados e nos expande, mas isso só tem como saber depois. Agora não. Estamos inconsequentemente confusos, sufocados, sem espaço pra aprender.



Não tenho mais doce aqui comigo.
E talvez por isso eu esteja um tanto amarga.
Mas pelo menos agora, com as coisas menos açucaradas deve ser mais fácil ir adiante, sem deixar pistas – uma fileira de formigas que me roubam doces no meio do caminho.
[Ivanúcia Lopes]