sábado, 31 de julho de 2010

Quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo olha para você.

Friedrich Wilhelm Nietzsche

Eu tinha medo, mas era uma medo diferente. Eu o desconhecia, não sabia o que viria, por isso tinha medo, por não saber o que esperar. Das outras vezes me preparei, entendi as causas dos acontecimentos, e em alguns casos os enfrentei conformada. Não tive medo. Mas agora o nada me esperava, assim como o tudo, poderia ser laranja, poderia ser azul, poderia ser extenso ou até mesmo mínimo. Eu não sabia. Pensei o tempo todo nisso, pensei tanto que o medo começou a fazer parte de mim, eu já não o sentia como antes. Lembrei de tudo que já havia esperado, e percebi que não importava o que viria eu enfrentaria, porque de alguma forma o que iria vim, viria porque eu podia suportar. Foi o que fiz, esperei sabendo que medo não ajudaria, mesmo as vezes sendo necessário.. Esperei porque esperar acalma. Mas espera da lugares a novas possibilidades, e demora intedia. Eu sempre odiei o tédio, e agora eu desejava o que viria, para vim e me resgatar dessa espera. O que antes me repulsava, agora me atraia. Descobri que era isso o tempo todo, precisei temer o desconhecido para depois deseja-lo. Mas desejar algo causa desintegração de existência.
Foi nessa descoberta que voltei a teme-lo.
Porem continuei a deseja-lo.

Ainda espero, desejando e temendo-o.

Carolina Assis
Afim de viver livre e feliz,
você tem que sacrificar o tédio.

Nem sempre o sacrifício é fácil.
Richard Bach

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Sonhos, realidades, e a vida.

Agora que eu aprendi que meus sonhos podem se tornar realidade, eu já não durmo mais para descansar, simplesmente durmo para sonhar
Walt Disney





Sempre achei que a magica de viver estava em realizar nossos sonhos e fantasias. Que tudo na nossa vida girava em torno desta realização, dos nossos objetivos, dos nossos ideais. Hoje, minha opinião continua a mesma. Sonhos vêem e vão como o vento. As vezes eles voltam, as vezes soa esquecidos, ou até guardados. Muitas dessas vezes cheguei até a modifica-los de acordo com minhas necessidades de cada tempo. A cada dia um novo ideal mexe comigo, com você, e com o mundo. Estamos sempre em constante mudanças a procura de satisfazer nossas vontades. E nossos sonhos ficam sempre guardados, sendo renovados, e em parte da vida, se criando em outros novos. Porque a magia de viver é sonhar, e saber que um dia viveremos o que sonhamos. Saber que sempre que desejarmos algo, a vontade de lutar nascera, e você se sentira forte e capaz de ganhar sua fantasia em cima de uma realidade, que talvez não tenha sido jamais sonhada. Então sonhe, mantenha a cabeça nas nuvens, os pés no chão, e os ideias no coração. Saiba o que quer, lute, convença, caia, levante, apanhe, bata, e crie novas maneiras de sonhar. No final descobrimos que a vida é mesmo uma fantasia, que envolve todos os sonhos de todo o mundo. E que se não acreditarmos que essa fantasia não é real, deixaremos de viver. E viver ainda é a melhor coisa a se fazer nesse planetinha azul.

Carolina Assis


Há quem diga que todas as noites são de sonhos.
Mas há também quem garanta que nem todas, só as de verão.
No fundo, isto não tem muita importância.
O que interessa mesmo não é a noite em si, são os sonhos.
Sonhos que o homem sonha sempre, em todos os lugares,
em todas as épocas do ano, dormindo ou acordado.
William Shakespeare

Sumisso das borboletas

Dizem que grandes jardins floridos atraem pequenas borboletas
Não concordo
Não funciona comigo
Sou um tipo diferente, uma nova espécie.
Gosto de ficar longe, apenas admirando as flores
Elas se tornaram enjoativas de perto
cores sabores aromas
tudo igual, sempre igual.


Vivo feliz aqui no céu.
Onde espinhos parecem invisíveis
e formigas inofensivas.
onde o vento
não me deixa ter certeza de nada.
Sou uma borboleta diferente de todas as outras
Não acredito em para sempre
só gosto de voar.

Br

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Amor não se conjuga no passado;


ou se ama para sempre, ou nunca se amou verdadeiramente.
M. Paglia

- Só sei que nós nos amamos muito...
- Porque você está usando o verbo no presente?
Você ainda me ama?
- Não, eu falei no passado!
- Curioso né? É a mesma conjugação.
- Que língua doida! Quer dizer que NÓS
estamos condenados a amar para sempre?
- E não é o que acontece? Digo, nosso amor nunca acaba,
o que acaba são as relações...
- Pensar assim me assusta.
- Porque? Você acha isso ruim?
- É que nessas coisas de amor eu sempre dôo demais...
- Você usou o verbo 'doer' ou 'doar'?
[Pausa]
- Pois é, também dá no mesmo...".

Gian Fabra

Fidelidade...

Chegará o dia em que os homens conhecerão a alma dos animais,
e nesse dia um crime contra um animal será considerado
um crime contra a humanidade
Leonardo Da Vinci


Olhei para os animais abandonados no abrigo...
Os renegados da sociedade humana.
Vi em seus olhos amor e esperança, medo e horror,
tristeza e a certeza de terem sido traídos.
Eu me revoltei e rezei:
- Deus, isso é horrível!
Por que o Senhor não faz nada a respeito?
E Deus respondeu:
- Eu fiz. Eu criei você.

Jim Willis

quarta-feira, 28 de julho de 2010

"O que é seu às suas mãos há de vir”

Machado de Assis


"Há pessoas que estão vindo muito

demoradas..."

João Guimarães Rosa

Mas eu sei que esperar,
é tudo que eu posso fazer.

O amor só é lindo...

... quando nos transforma no melhor que podemos ser.
Mario Quintana


Minha vida era complicada. Você era simples. Gostava disso. E eu nunca gostei de coisas simples. Mas gostava de voce. Gostava tanto de voce que as vezes me esquecia de mim. Gostava de como voce sorria, e dos motivos que o levavam a fazer isso. Gostava da sua magica ao mudar meu humor, em facilitar as coisas, em dar brilho ao meu olhar. Mas principalmente em ter me dado esse dom, esse dom de amar.

Carolina Assis

Quando ele sorri desarmado, limitado e impotente, para todas as minhas dúvidas, inconstâncias e chatices, eu sei que é daquele sorriso que minha alma precisava. Ele não faz muito pela minha angústia existencial, até por não saber. E consegue tudo de mim. Consegue até o que ninguém nunca conseguiu: me deixar leve. (…) Eu quero parar com tudo isso, ele é um menino que não pode acompanhar minha louca linha de raciocínio meio poeta, meio neurótica, meio madura. Eu quero colocar um fim neste tormento de desejar tanto quem ainda tem tanto para desejar por aí. E aí eu me pergunto: pra quê? Se está tão bom, se é tão simples.
Ele me ensinou que a vida pode ser simples, e tão boa.
Tati Bernardi

Ahh...

terça-feira, 27 de julho de 2010

Eternidades e partidas...

- É verdade que os amores eternos nunca morrem? .
- É. Ou não seriam eternos.
- Mesmo que a pessoa esteja longe de você?
- Mesmo que a pessoa esteja longe de você ela estará mais perto do que voce pensa
- E como sabemos que aquele amor é eterno?
- Não sabemos. Até um dia.
- O dia em que ele vai embora?
- É. O dia em que ele vai embora mas nunca parte.

Fábio Fabretti



Eu não me arrependo de você
Vi você crescer
Fiz você crescer
Vi voce me fazer crescer também
Prá além de mim...
Não, nada irá neste mundo
Apagar o desenho que temos aqui
Nem o maior dos seus erros
Meus erros, remorsos
O farão sumir...

Caetano Veloso

Do tipo que assusta... e emociona.

Eles não tinham uma música, um lugar, uma cor. Ele odiava quando ela ria de suas crises e sempre o corrigia. Ela sentia vontade de jogá-lo de um abismo toda vez que ele fazia piada sobre a roupa dela, sua voz gritante. Eles se beijavam toda vez que ele ia embora. Havia uma trégua entre a batalha costumeira e a pegação em massa. Ele, vencido pela pirraça, passava o braço pela cintura dela e respirava em sua nuca. Ela, vitoriosa, enroscava seus dedos nos deles sorria escondida. Eles ficavam em silencio, um misto de preguiça e deleite. Era mais um daqueles momentos que não precisavam de palavras... Era um ritual interessante. Ela beijava os cantos do rosto dele, provocando sua boca, desviando, feito uma menininha melindrosa. Ele apoiava o queixo em seu ombro e o acariciava com a ponta do nariz. Até que a batalha acabava, os lábios se encontravam e por um instante não havia jogos. Eles se transformavam, pareciam quase se completar. Era assustador...
Ele oferecia seu peito pra ela, ela ouvia cada batida de seu coração e isso parecia intimo demais pra eles. Fácil era beijar seu pescoço, arrancar sua blusa e deixá-lo louco. Difícil era aguentar ouvir seu coração bater sem querer ser o motivo de cada batida. Quando ele ficava em silencio e olhava pra ela desarmado, ela também quase se desarmava. Quase! Respirava fundo e virava o rosto desejando que ele voltasse a olhar a TV. E que ela pudesse lamentar baixinho sua covardia... Deus, como ela desejava ter tido a coragem! Coragem de dizer que sim, em algum momento ela o amou. Amou desesperadamente, desejando o "pra sempre" de qualquer conto de fadas bobo. E mesmo que a ideia de amá-lo começou a parecer ridícula, ela queria ter tido a coragem de dizer que ele poderia te-la feito se apaixonar. Ou fez, como ela não conseguia perceber.E eles poderiam bancar os dois idiotas se amando, se superando. Já era tarde, ela tava ficando com sono. E os delírios de "como poderia ter sido" estavam indo longe demais. Ela queria fechar os olhos e pensar em outra coisa, mas não conseguia. Sonhava com ele, sentia seu cheiro, revivia cada gesto, cada gosto. Gostava de sentir uma coisa estranha no estômago quando olhava pra ele. Gostava quando ele enrolava os dedos em seus cabelos e apertava sua nuca. Ela gostava dele e ponto. Só não queria que ele soubesse disso...

Ellen Cristina

- Emocionou-me sim, mas assusta por que?
- Porque é a nossa historia.
- Não achei que tivessem vivido algo parecio com voces.
- Eu tambem nao, por isso assusta.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Achei um pouquinho mágico..

Não me lembro mais qual foi nosso começo.
Sei que não começamos pelo começo.
Já era amor antes de ser.
Clarice Lispector

Não havíamos marcado hora,
não havíamos marcado lugar.
E, na infinita possibilidade de lugares,
na infinita possibilidade de tempos,
nossos tempos e nossos lugares coincidiram.
E deu-se o encontro.
Rubem Alves

Não tivemos um começo. E por um tempo odiei isso.
Agora, isso é uma das coisas que mais gosto na gente.
Hoje eu digo com orgulho e voz alta: Não tivemos um começo.
Antes, quando perguntavam, eu dizia que não me lembrava,
que tudo tinha acontecido rápido demais.
O que de fato era verdade, foi tudo muito rápido.
Não o desenrolar da timidez, nem a intimidade, nem nada disso.
Essa coisas tiveram seu tempo necessário, seu tempo normal.
Eu digo o desenvolvimento do nosso sentimento.
Esse sentimento tão louco que nem eu nem você poderíamos explicar.
Não que nunca tivéssemos tentado. Eu, ao menos, tentei alguma vezes.
Mas eramos tão eficientes em demonstrar esse amor um ao outro, que não importávamos se ninguém percebia o quão grande tudo isso se tornara.
Você sabia. Eu também.
Isso sempre bastou.

Carolina Assis

Achei um pouquinho mágico..
mágico suave,
você sabe - nós ali,
lado a lado,
falando praticamente
das mesmas coisas.
Caio Fernando de Abreu

domingo, 25 de julho de 2010


O que quer que faça na vida, será insignificante. Mas é muito importante que você o faça. Porque ninguém mais o fará. Como quando alguém entra na sua vida, e metade de você diz: Que não está nem um pouco preparado. Mas a outra metade sua diz: Faça que ela seja sua para sempre.
Remember Me

sexta-feira, 23 de julho de 2010

- Não posso falar nada, parece feita de porcelana.

(Bem melhor que ser assim, um saco de cimento Nassau.
Quis dizer lhe. Não disse.)

- É... deve ser por isso que estou toda rachada.

Liá Araujo

Ele nunca gostou de porcelana.
Nem eu.


Uma hora temos que ir embora...

... Cedo ou tarde. No meu caso, muito tarde. Que venha o tédio então.

Quando fazemos tudo para que nos amem e não conseguimos, resta-nos um último recurso: não fazer mais nada. Por isso, digo, quando não obtivermos o amor, o afeto ou a ternura que havíamos solicitado, melhor será desistirmos e procurar mais adiante os sentimentos que nos negaram. Não fazer esforços inúteis, pois o amor nasce, ou não, espontâneamente, mas nunca por força de imposição. Às vezes, é inútil esforçar-se demais, nada se consegue, outras vezes, nada damos e o amor se rende aos nossos pés. Os sentimentos são sempre uma surpresa. Nunca foram uma caridade mendigada, uma compaixão ou um favor concedido. Quase sempre amamos a quem nos ama mal, e desprezamos quem melhor nos quer. Assim, repito, quando tivermos feito tudo para conseguir um amor, e falhado, resta-nos um só caminho... o de mais nada fazer.
Clarice Lispector







Tão sábia.
Ah, se ouvissemos ela...
Mas não,
nunca ouvimos os sábios.
Eles também não ouviam
quando eram iguais a nós.





- Quer dizer que um dia seremos sábios?
- Não. Quer dizer que tolice faz parte da vida,
ou pelos menos parte de uma parte,
independente
de quem você seja.
- Ah, não me sinto melhor por isso.
- Nem eu.

Carolina Assis

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Mas muito verdadeiro.

- Foi um milagre, mais do que um milagre, quando eu encontrei você, Peg. Agora, se fosse me dado a chance de escolher entre ter o mundo de volta e ter você, eu não seria mais capaz de desistir de você. nem mesmo para salvar cinco biliões de vidas.
- Isso é errado.
- Muito errado, mas muito verdadeiro.

[The Host]


Quando perguntam se amei, digo que sim. Pois não há outra reposta a altura. Digo até mais, digo que amo, digo que não amei ninguém depois de você. Tão pouco antes.
E a cada dia eu encontro novas maneiras de amar você, mesmo que essa maneira seja te odiar. Sempre me disseram que o amor e o ódio andam juntos. Nunca entendi. Mas percebi que quando chego a te odiar, no dia seguinte eu te amo ainda mais. Essa é a diferença de você e os outros que vieram antes, e que tentam vir depois. Por você eu me apaixono todos os momentos, em cada coisa que você descobre em mim, em cada coisa que eu descubro que tenho em você, em cada coisa que leva nosso nome. E agora tudo tem nosso nome. Nossos nomes juntos, formam um mais bonito, porque eu e você sempre fomos mais bonitos juntos. Pelo menos é o que todos diziam, e dessa vez, me permito me importar com o que os outros pensam. Sendo sobre você, tudo é muito bem vindo. Independente de sua origem e destino. Mesmo se doer, esse amor que todos diziam ser frágil como asas de borboletas, mas é apenas suave como estas. Na realidade ele é forte, e como pesa. Pesa como chumbo, pesa em mim de forma tão violenta, que eu preciso de ajuda para segura-lo. Que bom que eu tenho você agora. Antes, quando você se foi, eu tinha que carrega-lo sozinha. Mas nem por isso te amei menos. Acho que depois que te conheci, nunca serei capaz de amar menos. Meus livros e minhas canções me ajudaram a segurar todo o peso. E olha que ironia, agora aqueles livros, e aquelas canções me lembra você, mesmo alguns não falando de amor. Mas quando sua vida é marcada por outra pessoa, tudo lembra a ela. Sendo de amor ou não. E o resto, se torna resto. Nunca mais ouvi as vozes dos outros. Nunca mais senti outro perfume na ruas ,se não o seu. Quando te via, procurava em seu rosto vestígios de mim.
E você sabe, eu sempre me achei em você.

Carolina Assis

"Ser amado profundamente por alguém nos dá força.
Amar alguém profundamente nos dá coragem "
Lao Tsé

Será? Talvez.

Eu nunca fui uma moça bem-comportada...

... Pudera, nunca tive vocação pra alegria tímida, pra paixões fáceis ou pro amor mal resolvido sem soluços. Eu quero da vida o que ela tem de cru e de belo. Não estou aqui pra que gostem de mim. Estou aqui pra aprender a gostar de cada detalhe que tenho.E pra seduzir somente o que me acrescenta. Adoro a poesia e gosto de descascá-la até a fratura exposta da palavra. A palavra é meu inferno e minha paz. Sou dramática, intensa, transitória e tenho uma alegria em mim que me deixa exausta. Eu sei sorrir com os olhos e gargalhar com o corpo todo. Sei chorar toda encolhida abraçando as pernas. Por isso, não me venha com meios-termos,com mais ou menos ou qualquer coisa. Venha a mim com corpo, alma e falta de ar... Eu acredito é em suspiros, mãos massageando o peito ofegante de saudades intermináveis,em alegrias explosivas, em olhares faiscantes,em sorrisos com os olhos, em abraços que trazem pra vida da gente. Acredito em coisas sinceramente compartilhadas. Em gente que fala tocando no outro, de alguma forma,no toque mesmo, na voz, ou no conteúdo. Eu acredito em profundidades. E tenho medo de altura, mas não evito meus abismos. São eles que me dão a dimensão do que sou.
Maria de Queiroz[modificado]

É o tipo de texto que poderia te descrever. Não porque você escreveria algo igual, mas por você se identificar com o que esta escrito, e o pior de tudo é que você nunca parou para pensar que seria tudo isso. Na verdade você é, o que pensa que é, mas faltam lhe palavras para descrever tal personalidade. Descobri a tempos que personalidade, é o tipo de coisa que não há descrição, mesmo para as grandes pessoas, ou para as que não possui tanto atrativo personalistico [não faço ideia se existe essa palavra, mas não encontrei outra]. A verdade é que estamos em constantes mudanças tão notáveis, que palavras se tornariam pequena para este feito.
É, que seja...
Esse texto me descreve. Hoje. Hoje eu sou exatamente assim.
Principalmente nos trechos em negritos.
Mas é só hoje.
Amanha talvez Clarice me descreva, ou o Caio.
Ou quem sabe continue sendo a Maria.

Carolina Assis

terça-feira, 20 de julho de 2010

A Beleza que esta nos olhos de quem ve...


É que as vezes é impossível transformar a dor em beleza.
Montar com ela mosaicos coloridos. Lindos.
As vezes, cacos devem permanecer cacos.
Pequenos, separados pra sempre,
depois da queda que os criou.

Eduardo Baszczyn









- Entendeu Carolina?
- Sim, o que não muda muita coisa.
- Masoquismo.
- Não acho que seja.
- Você gosta de cacos de vidros...
- Ah não, para mim não são vidros, são diamantes,
e você sabe, não importa em quantos pedaços eles estejam,
serão sempre valiosos.
[Silencio de novo, desta vez só dela.
Eu cantava]

Carolina Assis

Para quem não entendeu o dialogo, a origem dele se encontra aqui.

Sabe o 'pra sempre' ? Ele existe...

... E isso porque ela é mais eu do que eu mesma. Seja de que forem feitas nossas almas, a dela e a minha são as mesmas. É ela que me mantêm viva, meu maior cuidado na vida é ela. Se tudo perecesse, mas ela ficasse, eu continuaria a existir. E, se tudo permanecesse e ela fosse aniquilada, o mundo inteiro se tornaria para mim uma coisa totalmente estranha e terrível. Eu não seria mais parte desse mundo.
É ela a minha grande razão de viver.
Emily Bronte

Já faz tempo, já faz anos... Troquei as coisas de lugares, sai de mim, deixei pessoas. Deixei amigos, deixei conselhos, deixei lembranças. Já faz tempo, que o tempo passou. E sequer o senti passar por mim, foi Tao depressa, não consegui não mudar. E vendo tudo isso, vendo as coisas acontecerem, mudarem de lugar a cada instante, eu percebo que você sempre continua intacta na minha vida, mesmo com o mundo dando tantas voltas, tantas pessoas se juntando, se separando, se modificando, nós mesmas se modificando... Eu e você continuamos juntas, como sempre, desde sempre, a cada dia mais. E pensando nisso, ontem me perguntei porque eu ainda não tinha escrito nada sobre você aqui, e decidi que faria isso no dia seguinte. Coincidência ou não, hoje é dia do amigo, nada mais justo do que escrever sobre a amizade mais verdadeira que eu já vi nesse planetinha azul, a nossa, e sobre a amiga mais fiel, e mais próxima da perfeição, você.
Ainda me surpreendo todos os dias com a sorte de ter alguém como você ao meu lado, ainda não acredito que mereço tudo isso, alguém que as vezes me parece irreal de tão perfeita. Não digo perfeita no sentido que todos conhecem, eles me diriam que perfeição não existe, do mesmo jeito que me diriam que é impossível ter uma amizade como a nossa nos dias de hoje. É que as pessoas ainda só acreditam naquilo que são capazes de viver. Eu ainda não vi ninguém viver nada perto do que a gente tem. Alias, isso ainda nem nós sabemos, e nos divertimos tentando achar algo que descreva nosso sentimento tão único e verdadeiro, mas acho que o encanto esta nisso, os maiores sentimentos, e as coisas mais complexas desse muno não podem ser explicadas, então não importe o quanto eu tente te dizer o que você é para mim, e o que nós somos uma para outra, não chegarei nem perto do tamanho de nossa amizade, e de tudo que já enfrentamos papara mante-la. E que para ser sincera, isso é um termo exagerado, para nós sempre foi muito fácil nos manter juntas. Eu e você sempre acreditamos que as coisas que devem ser, sempre é, e que o universo sempre conspira a favor. Nós somos a maior prova disso, nunca nada interferiu
na gente, mesmo quando você mudou e ficou a 110km distante de mim, as coisas continuaram fáceis demais, seus pais sempre gostaram muito de viajar. E assim vai ser para sempre, de um jeito tão certo que me assusta. Eu sempre lhe digo que você é minha única certeza, porque essa é minha única verdade. É como se sua presença fosse mágica, como se todos meus problemas enormes virassem pó perto de você, como se meus sorrisos se tornassem mais verdadeiros, como se meu mundo, mesmo se estivesse de ponta cabeça, se estabeleceria só de
estar no seu colo e ganhar seu abraço. Saiba, que mesmo você não tendo meu sangue nem meu sobrenome, está no seu coração, mais do que qualquer outra pessoa existente no meu mundo. É como disse Richard Bacho laço que une sua verdadeira família não é de sangue, mas de respeito e alegria pela vida um do outro. Raramente os membros de uma família se criam sob o mesmo teto “. Somos assim, uma família, uma completando a outra, sendo o chão, a critica, o alicerce, o porto-seguro. Juntas somos o sorriso, o conforto e o todo. O abraço, o ombro e a mão sempre estendida. Nossa amizade completa a falta, consola as perdas, substitui a dor com o mais puro e infinito amor. E eu sei, o quanto dói você estar longe, e também sei, que não importa quantos anos passe, eu nunca me acostumarei com essa saudade, ou essa distancia. Porque elas não se tornaram menores, apenas mais suportáveis, porque foi graça as elas que realmente notamos o quanto é grande e linda nossa amizade, e quanto amamos uma a outra. Conhecemos tantas pessoas nesse tempo, fizemos novas turmas, andamos com gente diferente, e mesmo assim nada substituiu ou chegou perto do que somos. É de você que preciso, são suas palavras que sempre me animam, sempre me ajudam, só você me conhece mais do que qualquer pessoa, só você sabe do que preciso e o que é melhor para mim."Porque se você não vem é como se o tempo fosse passado em branco, como se as coisas não chegassem a se cumprir porque você não soube delas." Caio Fernando de Abreu. Eu queria que você soubesse, que nada nesse mundo vai mudar o que eu sinto por você, e tudo que passamos. Você é meu presente de Deus. Ele me deu você para eu cuidar e para eu ser cuidada, para que quando tudo caísse, nós tivéssemos alguém. E Você é assim para mim, o que me mantem em pé em todos os momentos, a minha razão, o meu mundo, a minha vida, você é meu tudo, minha melhor amiga.

Além de tudo e por toda vida,
eu te amo hoje, amanha,
e em todos os dias que meu coração bater.
Minha eterna Mandy Frizzo.


O essencial é aquilo que,
se nos fosse roubado, morreríamos.
O que não pode ser esquecido.
Substância do nosso corpo e da nossa alma...
Rubem Alves

Ps: Feliz dia do amigo a todos meus amigos,
que me ouvem, que compartilham momentos,
todos que estao sempre comigo,
eu poderia escrever um post a cada um de voces,
mas infelizmente o tempo, esse nao é meu amigo.
Acredite, graças a voces sou uma pessoa muito rica.
Minhas amizades, meus maiores tesouros.

[Carolina assis]


segunda-feira, 19 de julho de 2010

Amores, tempo, e mais amores...

Deepak Chopra escreveu:
Sejam quais forem os relacionamentos que voce atraiu para dentro da sua vida, numa determinada época, eles são os relacionamentos de que você precisava naquele momento.

"Todos os seus amores
construirão uma ponte
pra você chegar a pessoa certa,
e quando você encontrar essa pessoa,
já vai estar preparado para fazê-la feliz"

Não sei, mas isso é tão eu.

domingo, 18 de julho de 2010

Amar-te-ei até o tédio...

... não é uma promessa, é uma profecia.


Conseguia, mesmo depois de tanto tempo, se surpreender com o modo que seus sentimentos a dominavam quando estava com ele. Poderia até descreve-lo, mas coisas desse tipo não se descrevem, apenas se sentem. E ela sentia, sentia como ninguém. Sentia que cada célula do seu corpo amava cada célula do dele. Tão intenso que por muitas vezes não se soube separar o sentimento, dela mesma. Ela o enxergava nela, quando via seu rosto, ela sabia que nunca se acostumaria a olha-lo, que sempre iria querer mais, que poderia passar o dia todo olhando-o, que não se cansaria, não se acostumaria. Seu coração batia tão violentamente que ela não podia acreditar que ele não o ouvia. Ela não falava muito nunca fora de falar muito, mas tinha certeza que seus olhos mostravam tudo que ela queria dizer a ele, e podia ver, de alguma forma louca, que ele entendia todos os olhares dela. E ele era a única coisa que ela olhava, a paisagem que ele pertencia era a única visão que ela tinha, que ela queria ter. E mesmo se não quisesse, todos seus sentidos era invadidos pelos sentidos dele. Cada mililitro do seu corpo ardia e se enjoava quando ela o via, ela ouvia sua voz, o via, e o resto do mundo desaparecia. Sabia que mesmo se lutasse, isso nunca mudaria. Já fazia parte dela. Eram como musica, um era a letra o outro a melodia, só em conjunto podiam ser completos.
Ela sou eu, e ele, é você. Nos somos a musica completa, o conjunto incerto, que de tanto ficar junto acabou se tornando correto. E eu sei que mesmo sentindo tudo isso, e sabendo que esse tipo de coisa não muda, eu ainda espero o tédio chegar. O único que uma dia poderá me salva desse amor irremediável por você. Mas nem ele é forte o suficiente, porque ele também sabe que você sempre estará la. Me observando, observa-lo.
Carolina Assis

É tão difícil falar e dizer coisas que não podem ser ditas.
É tão silencioso.
Como traduzir o silêncio do encontro real entre nós dois?
Dificílimo contar. Olhei pra você fixamente por instantes.
Tais momentos são meu segredo.
Houve o que se chama de comunhão perfeita.
Eu chamo isto de estado agudo de felicidade.
Clarice Lispector

Explicações, justificativas... e outras razões.

Mergulhei nas letras românticas.
E através delas tomei consciência
de que a força invencível que impulsionou
o mundo não foram os amores felizes
e sim os contrariados.
Gabriel Garcia Márquez

Não sei porque eu não fiz esse post antes. Acho que por preguiça, ou por falta de tempo.
Ou porque eu não quis mesmo.

A intenção era eu descrever a causa dos meus texto e o motivo que me levou a fazer esse blog e postar esse monte de palavras que muitas vezes não falam nada, mas descrições são muito limitadas, e eu nunca lidei muito bem com limites. Mas como vieram me perguntar sobre meus sentimentos se eles estão presente na minha vida do modo como as descrevo, acho justo que saibam que alguns dos sentimentos que falo, entre as outras coisas que escrevo, nem sempre são o que sinto, nem o que acredito. As vezes são coisas que admiro nesse mundo, ou algo que eu vi e gostei, as vezes são sentimentos de amigos que mexem comigo, ou até alguns que eu queira sentir, mas não sinto. A maioria deles também são irónicos, muitas vezes o que quero dizer é o contrario do que esta escrito. mas isso não quer dizer que não descrevo também o que sinto, as vezes o faço, e geralmente em terceira pessoa. Então, que fique claro, esse blog não é meu diário, até porque eu teria que postar a todo tempo mil coisas diferentes, e que confundiriam todos que lessem. Meu dia não tem manha, tarde e noite iguais, em um mesmo padrão, esta sempre mudando, a todo momento juntos com minhas escolhas, meus momentos, meus gostos e até mesmo minhas ideias estão se reciclando sempre, a cada segundo, das vezes que meu dia teve uma padrão eu o considerei tedioso.
Ah, e eu odeio o tédio.

Carolina Assis

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Me conta agora, como hei de partir?

- O que eu posso lhe dar, Peg? - insistiu ele.
Eu respirei fundo e tentei manter minha voz serena.
- Dê-me uma mentira, Jared. Diga que você quer que eu fique.
Não houve hesitação desta vez. Seus braços me envolveram no escuro, abraçando-me com firmeza contra o peito. Ele apertou os lábios contra minha testa, e eu senti seu hálito fazer meus cabelos se moverem quando ele falou.
(...)
- Fique aqui, Peg. Conosco. Comigo. Eu não quero que vá embora. Por favor. Não consigo imaginar isso aqui sem você. Não consigo ver. Não sei como... como... - a voz dele travou.
Ele era um ótimo mentiroso.

The HostAh, se já perdemos a noção da hora
Se juntos já jogamos tudo fora
Me conta agora como hei de partir
Ah, se ao te conhecer
Dei pra sonhar, fiz tantos desvarios
Rompi com o mundo, queimei meus navios
Me diz pra onde é que ainda posso ir
Chico Buarque

As coisa ficavam mais difíceis conforme o tempo passava. Perdiam o controle fácil, fácil, um controlava o outro. Sempre fora assim. E agora, bem, agora estavam longe, ninguém tinha o controle necessário. Podem até ter esquecido seu significado.
Eu nunca pude entender como eles conseguiam se separar apesar de tudo. Talvez minha capacidade de entender relacionamentos seja limitada. Talvez eles fossem complicados demais. Percebi que era a segunda opção, quando descobri que nem eles mesmos se entendiam.
Ah, se eu pudesse eu diria a eles como são lindos juntos, como tudo caminhava mais fácil na vida de ambos, como sorriam com mais frequência... Mas Ela era mais complicada. Ela mentia não apenas para ele sobre seus sentimentos, ela mentia para si mesma. E sabia mentir, sabia mentir tão bem que a fazia acreditar. Em algo que qualquer pessoa enxergaria o que realmente era. Enxergaria o amor.
O que me anima, e me consola, é o fato de que no fundo ela sabia, que ele sempre saberia o quanto ela o amava, o quanto tudo que passaram era eterno de certa forma. E quando abria os olhos, ela ainda sorria, só de pensar que ele estaria lá, onde sempre esteve, esperando por ela.
Carolina Assis
Tenho medo de que tudo seja uma mentira
e de verdade sinto que é,
mas ainda acordo feliz todos os dias esperando
que ao menos você seja verdade.
Tati Bernadi

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Invocação Irada

(...)
Que te fiz para assim permaneceres dentro do meu ser, se fora dele não existes nem noticias te preservas?
Foge, foge de mim para tão longe. Suplico-te que deixes um vácuo sem esperanças de lotar, amplo, soturno espaço irremediável, mas deixa-me, larga-me, evapora-te de toda a minha vida e meu pensar. Sei que não me escutas, és diferente a todo meu apelo, nem dependes de teu próprio querer. Perversa essência eterna torturante, vai te embora, vai, anel satânico de vogais e consoantes que esta boca repete sem querer.

Carlos Drummond de Andrade

quarta-feira, 14 de julho de 2010

" Elas parecem mais reais quando você as deixa"

A noite estava linda, uma meia-lua iluminava o céu.
- Onde moro nunca é escuro ou silencioso – falei.
- Faço faculdade lá. Sente falta de Londres? -
perguntou Gabe, sentado sob uma árvore.
Continuei de pé, com meu corpo encostado no tronco.
- Não sei se sinto falta. O problema são as pessoas de lá.
Elas parecem mais reais quando você as deixa.
Ou talvez a gente só consiga entender o que sente quando esta longe.
Gabe recostou-se no outro lado do tronco.
- E quais são seus sentimentos em relação as pessoas que deixou?
- Confusos, As vezes, sinto falta, as vezes acho que é um alivio estar longe.
Isso me da espaço para pensar – respondi,
sentindo que o cotovelo de Gabriel e o meu se tocavam.
[Soul Love - Lynda Waterhouse]

Julgaria tolo alguém que dissesse que a distancia as vezes é a melhor forma de se aproximar de alguém. Há um tempo atrás. Hoje, eu julgaria a pessoa sábia. Sábia e forte. Sábia porque não são todos que que percebem isso, apenas os que passam por isso sabem, e as vezes nem eles. Forte, porque aceitar uma separação de alguém é algo extremamente doloroso, e isso ninguém precisa ser PHD em sentimentos para saber. Já me separei de algumas pessoas que eu já amava, por obra do destino, já me juntei a elas de novo por obra dele também. Mas já fiz escolhas. Já escolhi separar de pessoas que eu não sabia nada a respeito sobre o modo como meu coração batia longe dela. É fácil você gostar de alguém que esta próximo de você, simplesmente você ignora as opções. Em ocasiões como essa não a espaço para opções, é a pessoa e você. São os dois, e o resto do mundo. Nunca se pensa em como viver sem ela, porque depois que a conheceu , talvez você nunca tenha vivido sem ela. E as vezes isso é necessário. Saber que sua sobrevivência continua intacta sem alguém. É quase impossível perceber isso quando esta junto. Separação em alguns momentos é necessária. Você pode perceber como se sente, e como a pessoa se sente em relação a você. Com uma ausência interferindo. É complicado, mas as vezes é necessário.
Eu não sei bem o porque escrevi essa linhas, ainda odeio ausência, distancias, e saudades mais do que qualquer outra pessoa. Mas eu as procuro como ninguém. E agora é isso que faço. Hoje é a ausência que me domina, a minha ausência de algo, para notar o quanto eu preciso deste. É como dizem, as vezes você precisa fugir do mundo, para saber quem vira atrás de você.
Carência? Não. É só para distrair o tédio. Vocês sabem, ele sim, nunca deixa saudades.

Carolina Assis

"Não fique triste nas despedidas.
Uma despedida é necessaria.
antes de vocês poderem
se encontrar outra vez.
E se encontrar de novo,
depois de momentos ou de vidas,
é certo para o que são amigos (...)"
[Richard Bach]

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Foi sempre você...


Lembra quando nos conhecemos? Você achou que eu era grosseiro de ficar lhe encarando. Saltei na estação de metro errada só para perguntar seu nome. E você não que me dizer. Mas não fui embora sem saber. Então você mentiu que se chamava Lena. Passei uma semana inteira só falando naquela mulher linda chamada Lena. Passei uma semana inteira só falando naquela mulher linda chamada Lena. Falei para todo mundo, Lena é muito bonita. Quando finalmente encontrei você de novo e convenci-a a andar comigo, chamei-a de Lena o tempo todo. No final do passeio, estava pronto para beijá-la e você pára para me dizer seu verdadeiro nome. No dia seguinte, eu disse para todo mundo como Rose era linda e todos riram de mim dizendo que na semana anterior era Lena, naquela Rose e na próxima seria outra.
Mas nunca foi. Foi sempre você.
Tom Rob Smith - Criança 44

domingo, 11 de julho de 2010

Algo está sempre por acontecer. O imprevisto me fascina.

Clarice Lispector



Às vezes, a última coisa que você quer chega primeiro
Às vezes, o que você mais quer nunca chega
E eu sei, esperar é a única coisa que você pode fazer
Às vezes...
[Aqualung]








Sempre achei mágica a arte de 'esperar'. E mágicos os que tinham paciência.
Eu nunca tive.
Gostava de me surpreender, de ter o que eu não estava esperando, o que era bem fácil, partindo do ponto de vista que eu nunca esperei nada. A verdade é que sempre levei a serio aquela historia de quem não se iludi, tão pouco não se decepciona.
Já tentei algumas coisas, já tentei ser como todos, já fiz teatrinhos na minha cabeça, diálogos feitos, já ensaiei o que faria, o que falaria, e até como me sentiria.
Patético.
Mas é que as vezes, não esperar nada chegava a ser impossível, quando se sabe que algo vai acontecer, fica fora de questão deixar de pensar como será. E é justamente o que pensamos, que nunca é. Aquilo me frustrava.
Ficará tão empolgada com o que eu tinha imaginado que seria, que quando acontecia, por mais perfeito que fosse, aos meus olhos era decepcionante.
Desisti.
Gostava de levar a vida na espera. Mas espera de surpresas.
Não imaginava nada, não fazia nada, a vida se baseava na arte do improviso.
E agora, as coisas são mais fáceis. Quando algo acontece, eu acredito que é porque teria que ser assim, a partir disso, minhas atitudes que levariam esse algo ao patamar que eu queria. Minhas atitudes, e não minhas imaginações, ilusões, chame do que quiser.
Ah, mas o lado bom é outro. O melhor lado, eu ainda não disse.
Quando não se espera, quando tudo na sua vida te surpreende, quando você tem controle de tudo, as coisas são praticamente feita ao seu modo.
E você sempre sabe, que não teria maneira de ter sido melhor, apenas diferente.
E na próxima vez, independente do que venha, você sabe que poderá fazer diferente.
Fazer a sua diferença.
Assim, no improviso.

"O que não é planejado emociona bem mais do que confirmar expectativas."

Carolina Assis

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Sobre momentos indefinidos...


- Gosto muito de pôr de sol. Vamos ver um...

- Mas é preciso esperar...
- Esperar o que ?

- Esperar que o sol se ponha.

Tu fizeste um ar de surpresa, e, logo depois, riste de ti mesmo. Disseste-me :

- Eu imagino sempre estar em casa !

De fato. Quando é meio dia nos Estados Unidos, o sol, todo mundo sabe, está se deitando na França. Bastaria ir à França num minuto para assistir ao pôr de sol. Infelizmente, a França é longe demais. Mas no teu pequeno planeta, bastava apenas recuar um pouco a cadeira. E contemplavas o crepúsculo todas as vezes que desejavas...

- Um dia eu vi o sol se pôr quarenta e três vezes !

E um pouco mais tarde acrescentaste :

- Quando a gente está triste demais, gosta do pôr de sol...

- Estavas tão triste assim no dia dos quarenta e três ?

Mas o príncipezinho não respondeu.


O Pequeno Príncipe
Antoine de Saint-Exupéry

Gostava de ver o pôr de sol
gostava de ve-lo sozinha.
Até experimentar sua compania.
Agora talvez até ele perca a graça,
o vento que me acompanhava,
nunca me perguntou o que era que eu pensava
Sempre era voce que perguntava.

Carolina Assis

Tão leve, que nem se nota...

Todos os amores deveriam ser possíveis. Pessoas não deveriam chegar, nem antes, nem depois. Tudo deveria ser exatidão, pontualidade vital para que o amor aconteça. A terra deveria girar com esse propósito: encontro das almas. O resto seria resto e tudo seria para sempre. brilhar para sempre, brilhar como um farol. Brilhar com brilho eterno.
Vladimir Maiakóvsk



Mesmo injusto, do modo como olhavam parecia calmo,
até mesmo belo.
Mas não era a beleza que conheciam, era diferente,
tanto para um, quanto para outro.
E é nisso que a beleza se encontrava, o encanto,
das diferenças, se tornarem tão iguais,
ao ponto de não poder mais separa-las.
E era isso que tentavam, separar,
E era nisso que erravam, em se parar.
Demorariam tempos para descobrir que esse tipo de coisa
não se separam.
E que era melhor assim, como era para ser, juntos.
Mas de tanto tentar, eles conseguiram.
Separação é algo, que a humanidade nao consegue evitar.
Um pena.

Carolina Assis

quinta-feira, 8 de julho de 2010

O meu amor agora está perigoso...

...Mas não faz mal,
eu morro, mas eu morro amando.
[Cazuza]


Você pode ter todos os defeitos do mundo, mais ainda é melhor do que o resto do mundo,
e eu sempre me apaixono por você.
Todas as vezes que te vi,eu sempre me apaixonei por você.
Eu nunca vou entender porque você é exatamente o que eu quero,
eu sou
exatamente o que vo
cê quer,
mas as nossas exatidões não funcionam numa conta de mais.

[Tati Bernadi]

Ela na verdade não sabia o que esperar dessa vez. Não sabia nem se deveria dar a chance de existir mais um vez. Ela não sabia. Seu coração sim. Como de costume ele a dominou pelo prazer que saberia que iria receber. Ela nunca o controlou, nem ele, nem seu coração. Ela não era controlada, mas preferia ser. Você sabe, ela sempre foi indecisa. Ela decidiu, decidiu sabendo de tudo, tendo vivendo tudo. Decidiu mesmo com a possibilidade de se repetir, de acabar um dia, mas talvez um dia perto demais. Sempre era algum dia perto demais. mas sempre voltava, um dia também perto demais. Aquilo a dominava, a adrenalina mexia com ela de forma exagerada, que nem as borboletas no estômago eram pareis. Dessa vez a essência foi a mesma, a magia, os sorriso, os contatos, até mesmos aquele encanto. Aquele que nunca se perdia enquanto estavam juntos, que nunca se perderia. Disso ela sabia. Faziam parte um do outro, e nisso as coisas haviam mudado, vinham mudando com o passar do tempo, isso aumentava. Ele a conhecia agora. Ela sempre o conheceu. Ali com ele, sendo olhada daquele jeito que a fazia esquecer seu nome, ela soube que isso se repetiria sempre que ela quisesse. Não porque dominasse a situação, a situação a dominava, e ela havia escolhido ser sempre assim. Sempre seria. Não do amor, esse sempre a surpreendia. Era algo alem, algo que ela via em seu sorriso. E agora ela entendia que nunca se cansaria de ver aquele sorriso lindo naquele rosto duro, aquele que ela provocava com facilidade, aquele que ela nunca via quando estavam separados. Já não importava mais nada, naquele momento, era ele e ela. Como desde sempre vinha sendo. Ela sempre seria dele, ele sempre seria dela. Talvez não ele, talvez só seu sorriso mais sincero. Mas isso já bastava. E sempre seria assim, agora ela sabia. Tantas vezes esperou pelo fim, e ele nunca veio. Ela cansou de esperar. Pelo fim. Por ele, talvez ela nunca cansasse. Talvez. Você sabe, ela sempre foi indecisa.


Carolina Assis

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Aos 16...


Aos 16 descobri que eu gostaria de me congelar nessa idade. Descobri que já não tenho mais jeito, que serei sempre essa criança, assim, desse jeito. Constatei que mentalmente eu devo ter uns 65 anos e alguns meses, e a maior parte do tempo uns 9. Aos 16 descobri que estavam certos os que me diziam que eu era demasiadamente inocente para viver em um mundo como o meu, que era errado eu acreditar em todos e achar tudo bonito demais, e que mesmo descobrindo isso, eu continuo a não me importar. Aos 16 eu sou mais critica, e aprendi a separar o que realmente gosto, e o que é bom. Devo estar mais racional, mas ainda me recuso a perder as esperanças. Aos 16 acho que não vivi nada perto do que eu tenho em mente, mesmo sabendo que garotas de 16 anos não costumam passar por tanta coisa. Aos 16 mudei muitas coisas, mas continuo tendo as mesmas manias, continuo sendo quem sou, sendo o que eu gosto.

Sou musica, e isso já me torna muitas. Sou rock na maioria do tempo, sou pop quando estou triste, sou sertanejo com os amigos, sou MPB com meus pais, sou musica clássica quando estudo. Sou livros, sou apostilas, sou textos educativos, e filosofia. Sou filmes que me fazem rir, e que no final me fazem chorar, sou filme que professores mandam assistir, e que percebo que são melhores que os de maiores bilheterias, sou poesia desconhecidas, e versos decorados. Sou sorvete no frio, sou vento no verão, sou abraços apertados e Harry Potter em qualquer época do ano. Sou amor, respostas secas e sarcásticas, sou sorrisos travessos e olhares sinceros. Sou amores elevados ao infinito sem limite e desapegos, gestos carinhosos e conversas divertidas. Sou Nietzsche, Machado de Assis, Jesus Cristo, Clarice, Caio Fernando, Renato Russo, Charlie Brown Jr. , J.K. Rowling.
Sou uma chácara com os amigos, sou conversa na fogueira, sou doideira, sou violão em roda, sou conselhos femininos, sou piadas masculinas. Sou inquieta, impaciente, ansiosa, sou apaixonada, sou meu creme de pentear, sou o cheiro do meu amor, sou o sorriso da minha melhor amiga, sou o colo dos meus pais. Sou o eufemismo de mim mesma quando estou com ele, sou o exagerado de mim com ela, sou cada dia uma musica para todos. Sou sagitariana, sou cristã, sou adolescente, sou criança, sou inofensiva e sou palavras que ferem. Sou atitudes impulsivas, sou palavras pensadas, sou sua estrela.
Aos 16 continuo indecisa, mas sempre quero algo que substitua as opções. É. Ainda desejo ser atriz, escritora, espia, e as vezes um bruxa, daquelas boazinha. Continuo acreditando em magia, sonhos, amores eternos, pra sempre’s, fadas, e algumas outras coisas que me aparecem durante a noite. Em sonhos. Aos 16 ainda ouço musicas que existiam antes do meu nascimento, sigo lendo muito, nem sempre coisas úteis, ouvindo muita musica, nem sempre musicas consideradas musicas. Continuo vivendo nas coisas que gosto, no sorriso de quem eu gosto, continuo vivendo fora de mim, vivendo feliz, querendo cada vez mais estar assim, não só aos 16. Continuo distraída, irónica, desastrada, continuo Harry Potter, continuo amando a mesma pessoa, a cada dia mais, de todas as maneiras diferentes. Continuo preferindo o trajeto de viagem do que o local de chegada, continuo vendo desenhos em nuvens, acreditando no mundo.


Ainda continuo orando todos os dias, se apaixonando todos os dias pela mesma pessoa, e pela vida. Ainda adoro sombras, ventos, chuva com sol, e passar o dia todo de pijama. Iris, ainda é a minha musica favorita.
Aos 16 continuo me encantando com borboletas, chorando em filmes e rindo de tristezas. Ainda falando trocadilhos bestas, tendo medo de palhaços e amando historias em quadrinhos. Ainda sou dramática, fria, calculista, falante. Aos 16 ainda não gosto de sair muito, ainda danço sozinha no quarto, e incomodo os vizinhos com a musica alta. Ainda falo sozinha, odeio criança, e vivo de sorrisos. Aos 16 ainda prefiro Toddy a Nescau, não gosto de televisão, nem de compras. Já percebi que econtrei uma metade de mim, e que ela é uma amiga, e que hoje me faz falta imensa. Ainda não posso ver um balanço sem deseja-lo, continuo ter a preferência de andar com garotos, mesmo tendo as melhores amigas desse mundo. Ainda quero fazer a diferença na vida de alguém, ainda perdoo tudo sem me pedirem isso. Ainda acredito que a vida é uma só e o tempo curto demais para deixar de sorrir por um minuto. Ainda prefiro passar horas com um amigo no meu quarto do que dias em uma viagem sozinha. Aos 16 ainda só uso preto, mesmo todos falando que é um cor triste, e continuo respondendo que minha vida é alegre demais, algo tinha que equilibra-la. Preto ainda é minha cor preferida. Aos 16 não sangro tão fácil, mas tenho feridas profundas que quase não lembro que existem, joguei purpurinas nelas, e continuo achando tudo muito bonito, até as cicatrizes.


Ainda acho quarta feira o melhor dia, ainda odeio os domingos, ainda quero o amor da minha vida, por mais de uma vida. Ainda tenho cachos e os adoro, continuo amando fotografias. Aos 16 descobrir o quanto saudade dói, e que amizades verdadeiras existem, e a longas distancia. Descobri que sou forte, que consigo lutar pelo o que quero, e por quem amo. Descobri que posso sentir o carinho por quem nunca vi, e amar incondicionalmente quem tenho aqui comigo. Aos 16 descobri que um eu te amo verdadeiro nunca se desgasta por mais tempo e vezes que o fale. Ainda amo estrelas, e as sigo toda noite. Ainda fico extremamente feliz ao ver uma lua cheia, que chega a me dar vontade de chorar. Ainda continuo viciada em datas, em horas e em meu diário. Ainda tropeço mesmo sem salto, e ainda os odeio. Ainda amo minhas bandas internacionais, e que tem nomes que ninguém sabe escrever. Ainda acredito em astrologia, ainda tenho ataque de risos incontroláveis, e que ficam a cada dia pior, amo minhas mãos, odeio meus pés.


Aos 16 ainda me acostumo com os defeitos dos outros, ainda prefiro as pessoas com problemas mentais, eu ainda não tenho TPM, nunca tive cólica, e não tomo remédio para nada, nem quando fico doente. Ainda sou viciada em exercícios físicos, odeio ficar parada, e continuo chegando cansada na academia e saindo super disposta. Ainda espanto a tristeza com musicas altas, ainda me sinto incompleta, e vou sempre me sentir, enquanto ela morar lá, e eu aqui. Ainda acho que você também é parte do que me falta, e que não saberia viver sem me apaixonar por você todos os dias e sentir borboletas no meu estômago. Aos 16 desejo estar aos 20, 30, 40, e muitas outras décadas, feliz como fui e sou até agora, desejo estar com as mesmas pessoas que amo, e ganhar muitas outras novas. Aos 16 constato que fui uma criança em certos ponto avançada para a idade, para o que eu sabia, lia, e pensava, mas hoje, aos 16, faço questão de ser uma adolescente bem infantil. Do modo alegre de ser, claro.

Carolina Assis


Hoje eu falei com Deus
Mas rapidamente.
Fiz um monte de perguntas e Ele só ouviu.
Ele é muito ocupado.
Antes de ir, Deus deu uma risada gostosa, e disse:
Eu fiz a emoção mais rápida que a razão, de propósito!
“Hum...?!?!"
[Desconheço o autor]







Eu ainda consigo achar engraçado o modo como fico feliz e absurdamente alegre quando as coisas estão dando errado. Sim, porque são nesses momentos que eu preciso me esforçar para ter felicidade constante, são nesses momentos que as coisas simples passam a ter mais graça, e serem indiscutivelmente adoráveis. Porque nesse momentos faz-se de tudo para estar bem, para se distrair, para sorrir. E, felizmente, sempre fui muito eficiente nessas funções. O que ainda me tira do sério é como enjoou das coisas estarem todas certas. Há a falta de emoções grandes, há a falta de esforços para um sorriso. E este fica comum. E felicidade não é algo comum. É algo sempre novo, cheio de motivos e motivações. E assim, quando as coisas estão confortáveis, nos lugares certos, fico a procura de algo maior, algo que não esta ao meu alcance, algo que eu sei que necessitara de esforços para conseguir. E até, talvez, algum tipo de sofrimento. Qual quer coisa para terminar com o tédio. E quando eu consigo? Ah, as coisas começam de novo. E é assim, sempre um ciclo.




(...)
-Por que?
- Sempre tive uma queda por causas perdidas.
- Hum... _
- Não existe um motivo. Nem sei o porquê disso.
- Masoquismo?
[ Silêncio, meu e dela]





Carolina Assis

terça-feira, 6 de julho de 2010

"É... parece que será nós dois até o final"



"E pelo visto, vou te inserir na minha paisagem
E você vai me ensinar as suas verdades
E se pensar, a gente já queria tudo isso desde o inicio.
De dia, vou me mostrar de longe.
De noite, você verá de perto.
O certo e o incerto, a gente vai saber. E mesmo assim,
Queria te contar que eu talvez tenha aqui comigo,
Eu tenho alguma coisa pra te dar.
Tem espaço de sobra no meu coração.
Eu vou levar sua bagagem e o que mais estiver à mão."
[Tiê]



E já não importava grande coisa o passado, de uma forma ou de outra eu sabia que sempre te teria comigo. As vezes perto demais para ser saudável. E outras longe demais para ser alegre ou festivo. Me disseram uma vez, ou talvez eu tenha lido em um desses textos românticos que prendem a atenção de pessoas com os corações ocupados, que quando o passado é o único motivo que junta duas pessoas, não há um futuro. Eu pensei na gente. Não como passado, muito menos com um futuro. Eu pensei no presente. No modo como você esta presente em mim, e eu em você. E de alguma forma eu descobri que eu sempre saberia disso, que enquanto você vivesse em mim, eu viveria em você. Eu estaria lá para te segurar, com meu modo grosseiro e sarcástico - ah meus pais, sempre tentaram me mudar nisso - mas eu estaria la, eu estou lá. Aqui, com você, a todo momento que precisar. Não por te amar, talvez eu já nem sinta algo Tão intenso. Talvez nunca tenha sentido. Mas não consigo ver o que me fez sorrir toa intensamente por tanto tempo, querendo chorar. É como uma obrigação estar lá por você, com você. Agora entende? Eu nunca quis isso, nunca quis que você precisasse de mim, nem que eu precisasse que você precisasse de mim. Eu só queria te fazer feliz, o tempo todo isso foi a coisa que eu mais desejei. E me contentei em fazer isso de longe. Mas olha como a vida é, é justamente por isso, que nós estamos tão perto. De novo. É, parece que será nós dois até o final.

" Mas é como dizem, as melhores coisas sempre se repetem "

Carolina Assis

Ah, isso chega a dar raiva...



É ele que voce quer nao é?
Foi ele o tempo todo, só ele.
Pois toma, leva.
Já nao o quero mais.
Ele nao me obedece. Nunca me obedeceu.
Talvez ele nunca tenha me pertencido...
Desde o começo,
Desde o começo era teu.


Carolina Assis

sábado, 3 de julho de 2010

Invertidas - Part II



- Ela é tão livre que um dia será presa.
-Presa por quê?
-Por excesso de liberdade.
-Mas essa liberdade é inocente?
-É. Até mesmo ingênua.
-Então por que a prisão?
-Porque a liberdade ofende.

Clarice Linspector







(...) No fundo ela queria parar de escolher, ela queria ser escolhida.
É, ele a escolheu. Não era ele que ela desejava. Mas as coisas mudaram quando ele notou isso. Mudou para ela, para ele, para os dois. Para seu egoísmo. Ela já não o tinha sempre. Ele escolhia quando ela podia te-lo.
Ele parou de escolher, ela já não o tinha mais.
Ele aprendeu a jogar o jogo dela, ela já não era a única que queria ganhar.
Ele também queria, ele a queria. E principalmente, ele queria que ela o quisesse.
Ela não.
Mas era o seu jogo, e ela estava perdendo. Ela não sabia as regras, nunca tinha as usado. Quando se joga sabendo que só voce podera ser o vencedor, voce não se preocupa como chegar La, voce sabe que chegara de qualquer maneira. Talvez nem houvesse regras.
Ele as inventou. Ele a conhecia, sabia como agir para que ela aprendesse a desejar. Ela estava aprendendo, mas não queria. Talvez fosse necessário, ela já não queria pensar nisso.
Tudo a fazia pensar nisso.
Ela havia sido escolhida pela primeira vez.
Não era isso que ela desejava no fundo?
Não, talvez não.Talvez.


Carolina Assis

Invertidas - Part I


Ela queria o fim,
mas tinha medo do novo começo.
Ela não prestava,
pelo menos não seu coração (...)








Nunca tinham feito isso consigo. Era ela que sempre fazia com eles. Bom, as coisas haviam se invertido. Essa era a primeira vez.
Talvez ela merecesse, coisa em que acreditava. Talvez ela só precisasse conhecer a sensação que despertava em todos, viver essa experiência. E talvez ao fosse nada disso.
No começo foi egoísta, ela sempre foi egoísta. Não com coisas, mas com pessoas. Ela gostava que fossem dela. E essa atitude era especificamente dirigida ao sexo masculino. Não se importava com o que eles sentiam. Gostava de vê-los sofrerem por garotas. Amava, quando a garota era ela. E esse tipo de coisa, só muda quando se conhece alguém... diferente.
Ele queria conhece-la, ele a queria. Mas ele era diferente. Ele prestava. Não merecia.
Ela sabia. Não se importou.
Ela precisava dele – não como precisava dos outros, isso também era... diferente – precisava daqueles contato, daquelas conversas sem fim, daquele sorriso despreocupado, não importasse o dia em que ele se encontrava, ele sempre sorria. Ela precisava continuar contando suas angustias e idéias, ela precisava que ele continuasse desejar ouvir, se importando. Ela precisava que ele continuasse se apaixonando por ela.
Ela não o queria. Não da maneira como ele iria gostar. Seu egoísmo entrava nessa parte da historia, ela tinha medo de machuca-lo, mas era só isso. Ela gostava de ver ele a olhando como se fosse a única garota do mundo. Quem não gostaria de algo assim?
O medo mesmo só vinha quando ela pensava como ele ficaria depois que ela se fosse. E ela iria um dia. E depois esse medo ia embora tão rapido quanto veio. Ela jogava, e ele era uma nova partida. Mas ele cuidava dela, como o alguém que ela realmente queria, já não fazia mais.O medo de machuca-lo sempre a acompanhava, porque sempre estava presente com ele o medo de perde-lo. E de novo a atitude egoísta.
Quis desistir. Se era por não faze-lo sofrer, ou para ela não sofrer. Ela não sabia. Tentava mudar, as vezes. Quase nunca. O tempo suficiente para sua consciência ficar leve – não que ela achasse que tivesse uma (...)
Continua


Carolina Assis


Ela: Qual a primeira coisa que você percebe quando você olha para outra garota?

Ele: Que ela não é você.